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Museu da Coexistência


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Meirav: Vocês podem pegar esta responasabilidade e levar para qualquer lugar que vocês acham [queiram]. Como vocês podem ser responsáveis quando voltarem para o Brasil? Como vocês são responsáveis para distribuir tudo que vocês viram aqui para suas comunidades? Como vocês falam "esse não sou eu... eu vim para o TAGLIT... eu estou bem... eu cheguei a Israel... eu vou para a sinagoga em Yom Kippur... Eles são culpáveis... eles não fazem isso... eles não são bons judeus... eles não se casam com judias... Eles, eles, eles..."

Este museu não tem uma construção, não tem uma história para contar. Tem uma pergunta para fazer. [inaudível] Onde eu estou em tudo isso que eu vi? Onde eu, sem intenção nenhuma, ofendi uma pessoa? Pode ser que eu tenha falado de um modo que deixa a outra pessoa um pouco inferior. Onde eu acho que eu seja melhor que os outros sem conhecer o que os outros fazem? Eu estou muito, muito feliz que a gente não tenha cancelado este museu porque eu acho que [esta] é uma pergunta que deve ser feita. Eu acho que é um museu que cada pessoa deve passar para questionar um pouco, para falar: "Nossa! O parlamento israelense... como eles estão gritando..." Mas o que a gente faz quando não concorda? Como que a gente falou no debate do judaísmo, sábado? Será que a gente também não ouviu outras pessoas? Pode ser que também tenha anulado a idéia de outras pessoas? Pode ser. Pode ser que eu tenha que pensar e fazer as minhas coisas de um jeito diferente? Pode ser. Agora eu gostaria que se alguém tiver alguma coisa para falar do museu em geral...

Neyla: Eu só acho que muita gente que não está aqui deveria estar aqui escutando tudo isso...

Stefano?: Olha aqui a crítica. Quem não está, não está... Aproveite você.

Neyla: Eu só acho que coisas que foram ditas e coisas que a gente viu são importantes...

Stanger: Eu acredito que se a pessoa não está aqui é porque ela não aproveitou.

Stefano: Se você aproveitou é o que importa...

Paulo: Eu acho que o tema da viagem é esse, né? O tema de toda a viagem foi um tema bastante sionista...

Meirav: Bastante sionista?

Paulo: Bastante sionista. E não foi, não é conclusão deste museu. Este museu não é só, não vai ter só uma pergunta. Eu acho que a coisa que mais me marcou aqui foi uma frase que eu li no cemitério do Har Hertzl, onde tinha uma placa escrito assim "Zionism is about doing something", Sionismo é fazer alguma coisa. E este estado aqui de Israel eu acho que só foi criado porque, é como você falou, David Ben-Gurion tinha um milhão de coisas para resolver no momento e pode ter tomado muitas decisões erradas mas ele fez alguma coisa e o Estado nasceu e hoje é o que é porque ele teve sucesso. Se muita gente estivesse discutindo naquela época e não tivesse feito nada, de repente, este Estado nem existiria... E como o tema do programa todo foi o sionismo eu acho que essa é uma frase que eu gostei bastante. E não só o sionismo, mas eu extrapolaria até para o judaísmo: judaísmo é fazer alguma coisa.

Stanger: Eu extrapolaria até um pouquinho mais: Ser humano é fazer alguma coisa.

Alguém: Bem colocado.

Meirav: A frase da Sochnut, que é a frase principal da Sochnut, é: "Sionismo é fazer ontem, hoje e amanhã." E sem sermos ativos nada vai acontecer e eu posso lhes falar que eu morei na comunidade judaica de Barcelona e eu morei na comunidade judaica do México e eu trabalhei muito com o pessoal do Brasil e é verdade que a comunidade de Barcelona é muito pequena mas é muito, muito, muito passiva... (Passiva? Passiva, que não é ativa). Muito passiva e eu vejo outras comunidades que são muito mais ativas e a comunidade de Barcelona, dentro de cinco anos, não vai existir.

Alguém: É como Salvador...

Meirav: E essa é uma coisa que a gente tem que saber. Tem uma outra frase que fala que "um povo que não lembra o seu passado e se o presente está problemático o seu futuro está duvidoso". Para se ter uma história, para se ter uma identidade coletiva, para se ter uma lembrança coletiva a gente tem que que fazer. Fazer estudar, fazer ver, fazer ensinar, fazer educar... e a gente, porque eu sou parte de vocês quanto à idade, a gente está na idade em que já está quase se formando ou já se formou... E como cada um educa e como cada um passa esta história é assim como vai se ver o mundo enquanto judaísmo, enquanto humanismo. Que ser muito bom judeu mas não deixar o outro pensar outra coisa... Que ser muito bom judeu e não coexistir com pessoas que não são judias não tem nada a ver. [Aplausos]

Áudio gentilmente cedido por Stefano Primo e William Freyer.

© 2002 by Michael Benitah. Todos os direitos reservados.
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