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04 de janeiro


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A visita ao Yad Vashem

Na sexta-feira, acordamos e tomamos café-da-manhã no hotel. O dia seria difícil porque visitaríamos o Har Hertzl onde ficam o Yad Vashem e o cemitério mais importante de Israel, onde ficam enterrados os presidentes e primeiros-ministros.

O Yad Vashem (a mão e o nome) tem a difícil, e talvez utópica, missão de encontrar o nome de cada um dos seis milhões de judeus mortos durante a Segunda Guerra Mundial. Para cada nome encontrado, é feito um registro no Hall dos Nomes, como uma forma de dar um túmulo, ainda que simbólico, a cada uma das vítimas do Holocausto. Hoje eles possuem cerca de 3,2 milhões de nomes. Grandes dificuldades prejudicam este trabalho: muitos sobreviventes da Guerra já estão muito velhos ou mortos, muitos preferem simplesmente esquecer a tragédia ocorrida e muitas vezes os filhos também não sabem nada sobre o que seus pais enfrentaram porque o assunto era difícil demais para ser tratado.

A segunda, e talvez mais realista, missão do Yad Vashem é formar um legado de informações sobre o Holocausto, para que ninguém esqueça o que aconteceu e para que não aconteça novamente.

Descemos do ônibus e andamos rapidamente para a entrada do museu. O dia estava nublado e frio (em torno de 3ºC). O sol surgiu logo depois, mas o dia continuou frio. Por isso demos uma volta rápida no imenso jardim em volta do Yad Vashem, vimos algumas das fantásticas esculturas do museu e entramos no prédio principal onde fica a exposição.

No museu, uma galeria de fotos em praticamente em todas as paredes. Posters gigantes por todos os lados, reprodução de documentos, testemunhos, etc. Em todas as fotos, uma coisa em comum além da estrela amarela presa ao peito: um olhar perturbador de tristeza, dor, complacência fitava o fotógrafo de modo resignado. Algumas fotos, clássicas, rodaram o mundo. Uma outra foto chamava a atenção: uma sinagoga em chamas na Polônia, queimada pelos nazistas, a mesma sinagoga da maquete que vimos, dias antes, no Beth Hatfutsot em Tel-Aviv.

Outras salas do museu guardavam objetos pessoais de vítimas do nazismo: uma pilha de sapatos velhos, uma pilha de relógios, uma pilha de roupas. Nas últimas salas, a Solução Final imposta pelos nazistas, quando sua posição na guerra começou a se complicar: o gás Zyklon B.

O museu histórico acabava com as explicações sobre as primeiras imigrações ilegais para Israel ao fim da guerra. O museu, que retrata um período tão negro da história, acaba com uma esperança (hatikvah): o nascimento de um novo país, onde os judeus nunca seriam perseguidos.

Na saída, um gráfico com o número de mortos por país, metade dos seis milhões mortos somente na Polônia. Em seguida, fomos para o prédio onde fica a vela eterna, em memória às vítimas do Holocausto. Saímos deste prédio e demos mais uma volta pela área em volta do museu. Em toda a área imensos guindastes para a construção do novo Yad Vashem, um projeto que transformará o Yad Vashem num moderno e imenso museu.

Nossa última parada, antes de deixar o Yad Vashem foi o monumento às crianças mortas durante a Guerra. Este memorial, localizado numa caverna subterrânea, é um tributo às 1,5 milhão de crianças que pereceram durante o Holocausto. Velas (ner hazicaron), um costume judaico de lembrar os mortos, são infinitamente refletidos no espaço escuro e sombrio, criando a impressão de milhões de estrelas brilhando em seu firmamento. Os nomes das crianças assassinadas, suas idades e países de origem são ouvidos ao fundo, ora em inglês, ora em hebraico, ora em yiddish. Os nomes foram retirados das Páginas de Testemunho no Hall dos Nomes, no Yad Vashem. Estas páginas podem ser preenchidas pela internet no site do Yad Vashem.

O Memorial às Crianças foi planejado pelo arquiteto Moshe Safdie e construído com a generosa doação de Abe e Edita Spiegel, cujo filho Uziel foi assassinado em Auschwitz aos dois anos e meio de idade.

Voltamos em silêncio para o ônibus e seguimos em direção ao cemitério do Har Hertzl.Voltar ao topo

O cemitério no Har Hertzl

O cemitério fica ao lado do Yad Vashem. Sendo assim, a viagem de ônibus não durou mais que cinco minutos. Ao descer do ônibus, cada um ganhou uma vela para acender em alguma sepultura.

Andamos pelo imenso cemitério, bem amplo com muitas árvores e fomos para a parte mais alta do cemitério, o topo da colina do Har Hertzl, onde fica uma grande lápide quadrada e preta. Na lápide, apenas uma coisa está escrita: o nome Hertzl em hebraico. O homem que criou a concepção do Estado Judeu, mas que nunca viveu para ver a sua realização, está enterrado no local mais importante do cemitério. Atrás do túmulo, um grande palco, onde são realizadas cerimônias do exército. Cada um de nós seguiu o costume de colocar uma pedra sobre o túmulo. Alguns queriam acender as suas velas, mas o local era muito aberto e ventava muito. Preferimos guardá-las.

Após o túmulo de Hertzl, ficava difícil pensar em pessoas mais importantes, mas seguimos para a parte do cemitério onde estão os primeiros-ministros e presidentes: Weizmann, Rabin, Golda Meir, entre outros. Distribuímos mais algumas pedrinhas e seguimos para os túmulos dos heróis partizanim que lutaram na Segunda Guerra, entre eles, as pára-quedistas Chana Senesz e Haviva Reik.

O final da visita foi da visita foi à parte do cemitério destinada aos soldados mortos em combate. Cada cidade de Israel possui um cemitério militar. Em Jerusalém, o cemitério militar ocupa esta parte separada do Har Hertzl. Cada sepultura diferia umas das outras apenas pelo nome e pelas datas. Desde soldados a generais, desde mortos em guerras a outros mortos no exercício de suas funções. Todos aqueles que deram tudo de si para a sobrevivência do Estado de Israel durante as horas mais críticas que o país enfrentou e ainda enfrenta. Ao fim da visita, ainda guardávamos as nossas velas, e assim, nos espalhamos e cada um acendeu a sua vela em túmulos diferentes do cemitério militar. Ilustres desconhecidos, mas nossos verdadeiros heróis. E tivemos a certeza de que não poderíamos ter escolhido melhores pessoas.Voltar ao topo

Almoço

Depois de uma rápida parada no hotel para pegar alguns do grupo que não acordaram cedo e que deixaram de ir no Har Hertzl, seguimos para o restaurante onde almoçaríamos, nos arredores da Cidade Velha, mas ainda do lado de fora. No cardápio, adivinhem: humus, tehina e lavne. Mas a esta altura da viagem, ninguém agüentava mais. De lá, seguimos para o kotel.Voltar ao topo

De volta à Cidade Velha

Era o final da tarde de sexta-feira e o movimento na entrada do muro, onde fazemos a bitachon, estava grande. Além de todos os ortodoxos que costumam ir lá às sextas-feiras, iríamos encontrar mais alguns outros grupos do birthright da Argentina e do Uruguai e o número de pessoas era realmente grande.

Mas enfim, todos entraram e nos reunimos em frente ao muro, numa grande roda, com os argentinos e uruguaios. Bronfman, que havíamos encontrado na véspera, estava no centro da roda e Yudit, a coordenadora do programa falou algumas palavras.

Em seguida, cantamos todos ירושלים של זהב e estendemos uma faixa onde se lia: בכל זאת הגענו למרות הכל (apesar de tudo estamos aqui), numa referência à crítica situação pela qual Israel estava passando no momento com a nova Intifada e os constantes atentados-suicidas. Para quem não sabe, a frase é trecho de uma música e expressava bem aquele momento. A faixa era uma homenagem a todos do grupo, que apesar do medo, das preocupações de suas famílias (e principalmente de seus avós), viram que todo o problema era mínimo. Uma homenagem a todos os que perceberam que o risco não seria maior do que ficar em casa no Brasil e que os conhecimentos e experiências adquiridos durante a viagem prevaleceriam sobre qualquer outra coisa.Voltar ao topo

Kabalat Shabat em Jerusalém

Passar o kabalat shabat em Jerusalém era uma experiência única. Já de manhã, na volta do Har Hertzl, víamos nas ruas muitas pessoas, apressadas em fazer as suas últimas compras antes de as lojas fecharem para o shabat: chalah, vinho, tudo deveria estar comprado e perfeito para o jantar. E assim é toda sexta-feira em Jerusalém.

Infelizemente, não poderíamos ficar no muro até depois do kabalat shabat porque o hotel era longe demais para voltar a pé e não poderíamos pegar o ônibus durante o shabat. Por isso, saímos apressados da Cidade Velha antes de escurecer, para chegar ao hotel a tempo.

Depois de uma pausa para banho, descemos para o lobby do hotel onde Meirav discutia com alguns outros sobre a difícil situação econômica que Israel estava enfrentando, abalada pelos atentados. Esperamos os outros chegarem para dar início à cerimônia do kabalat shabat no próprio lobby do hotel. Em seguida, seguimos para o restaurante do hotel para jantar.

Depois do jantar, meu primo me buscou no hotel para ir ao jantar de shabat em sua casa. Depois do jantar, demos uma volta pela cidade, fomos a um café nos arredores da Ben Yehuda e depois passamos na porta de algumas discos de Jerusalém: a Alman, conhecida como uma das melhores da Europa e a Campus, de estudantes. Voltei para o hotel por volta de duas horas.Voltar ao topo


Massada, Mar Morto e Jerusalém Jerusalém >
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Para não esquecer. Esta foto está disponível para download.
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Túmulo de Yitzhak e Lea Rabin.
Aliste-se no Tzahal
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Em frente ao muro: apesar de tudo estamos aqui. Esta foto está disponível para download.

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