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03 de janeiro


Veja as fotos de 3 de janeiro

Massada

A chuva nos segurou nas tendas beduínas por pouco mais de uma hora e saímos com atraso para Massada, o que significava que provavelmente não veríamos o nascer do sol. De qualquer jeito, com o tempo daquele jeito, provavelmente o sol ficaria por trás das nuvens. Caminhamos para o ônibus, que nos esperava à saída das tendas, contra um vento forte, com chuva e muito frio. Ao chegar no ônibus, as portas ainda estavam fechadas e tivemos que esperar um pouco. Alguns estavam congelando, mas não demorou muito para abrirem a porta. Ainda era noite e seguimos nossa viagem com a esperança de que chegássemos ainda a tempo a Massada e que a chuva parasse. A chuva ainda estava forte e não víamos nada através das janelas com o vazio do deserto e a escuridão da noite. A viagem era realmente algo fora do comum. Quando chegamos na parte de baixo da montanha onde fica Massada, o céu estava clareando com o amanhecer e a chuva tinha parado.

Mesmo assim, ainda estava escuro. Enchemos nossas garrafas d'água nas bicas que ficam no início da trilha e nos apressamos na subida. O caminho não era longo, mas era um pouco íngrime. A falta de hábito com o clima seco do deserto também demandava um esforço a mais. No entanto, chegamos inteiros lá em cima. O dia já estava claro, mas estava nublado e o sol ainda não tinha aparecido. A temperatura estava um pouco fria. Mas com o passar do tempo, a temperatura começou a subir e o sol acabou saindo.Voltar ao topo

A história de Massada

Massada, do hebraico metzadah (fortaleza), está situada no topo de uma montanha plana nos arredores do Mar Morto, cerca de 450m acima do Mar Morto (o Mar Morto está a 400m abaixo do nível do mar).

Os únicos registros históricos de Massada foram escritos pelo historiador Josephus Flavius. Nascido Joseph ben Matityahu, de uma família de sacerdotes, Josephus era um jovem líder durante o início da Grande Rebelião Judaica contra Roma (66 a.C.) quando foi nomeado governador da Galiléia. Ele conseguiu sobreviver ao pacto suicida dos últimos defensores de Jodfat e se rendeu a Vespasiano (que logo depois foi proclamado imperador) - eventos que ele descreveu em detalhes. Chamando a si mesmo de Josephus Flavius, ele se tornou um cidadão romano e um historiador de sucesso. Sem levar em conta o julgamento moral, seus relatos provaram-se enormemente precisos.

De acordo com Josephus Flavius, Herodes, o Grande, construiu a fortaleza de Massada entre 37 e 31 a.C. Herodes foi nomeado Rei da Judéia pelos seus superiores romanos e era odiado pelos seus assuntos judaicos. Herodes, o grande construtor, transformou a fortaleza em um refúgio para ele mesmo. Adicionou uma muralha ao redor do plateau, depósitos de alimentos, grandes cisternas para recolher a água da chuva de forma engenhosa, palácios e um depósito de armas.

Cerca de 75 anos após a morte de Herodes, no início da Revolta Judaica contra os romanos em 66 a.C., um grupo de rebeldes judeus tomaram Massada da guarda romana. Depois da queda de Jerusalém e da destruição do Templo em 70 d.C., os zelotas e suas famílias, fugidos de Jerusalém (recém-transformada em Aelia Capitolina), se juntaram a eles. Com Massada como base, eles atacaram e perturbaram os romandos por dois anos. No ano 73 d.C, o governador romano Flavius Silva marchou contra Massada com a Décima Legião, unidades auxiliares e milhares de judeus prisioneiros de guerra. Os romanos estabeleceram campos na base de Massada, e sitiaram a fortaleza construindo um muro para impedir a fuga. Eles construíram uma rampa no lado ocidental da montanha e na primavera de 74 d.C conseguiram transpor as muralhas da fortaleza.

Josephus Flavius reconta esta história de forma dramática a partir do relato de duas mulheres sobreviventes. Os defensores, quase mil homens, mulheres e crianças, liderados por Eleazar ben Yair, decidiram queimar a fortaleza e dar fim as suas próprias vidas ao invés de serem presos vivos. E assim encontraram (os romanos) uma multidão de mortos, mas não puderam sentir prazer com o fato, embora as mortes tenham sido de seus inimigos. Nem puderam fazer outra coisa senão refletir sobre a coragem de sua resolução e a preferência da morte demonstrada por um número tão grande de pessoas.

A heróica história de Massada e seu fim dramático atraíram muitos exploradores ao deserto da Judéia (Yehudah) na tentativa de localizar os vestígios da fortaleza. O local foi identificado em 1842, mas excavações intensas foram realizadas somente em 1963-65, com a ajuda das centenas de volutários entusiastas de Israel e de vários outros países, ansiosos em participar de uma excitante descoberta arqueológica. Para eles, e para os israelenses, Massada simboliza a determinação do povo judeu de ser livre em sua própria terra. Massada não cairá novamente!Voltar ao topo

Explorando Massada

Chegamos ao topo de Massada percorrendo a trilha do Caminho da Serpente, no lado sudeste da fortaleza. Depois de uma rápida explicação sobre a história de Massada, ainda sob um forte vento, seguimos para as escavações. Nosso tempo era curto porque seguiríamos para Jerusalém naquele dia e se quiséssemos mergulhar no Mar Morto deveríamos nos apressar.

Portanto, o pouco que vimos em Massada foi os depósitos de comida, os banhos romanos com seu avançado sistema de aquecimento e a sinagoga, a única datando da mesma época do Segundo Templo e considerada a mais antiga sinagoga descoberta até hoje.

Em Massada, encontramos o grupo de russos e canadenses que estavam conosco nas tendas beduínas. Depois de algumas fotos, rumamos para a saída. A idéia original era descer a pé pela mesma trilha em que subimos, mas como saímos tarde por causa da chuva, para não perdermos tempo e podermos ir ao Mar Morto, pegamos o rakevel que tinha acabado de abrir (oito e meia da manhã). Na estação de baixo do cable car, uma nova sala de exposições de alguns objetos retirados nas escavações e uma loja de souvenirs, é claro.Voltar ao topo

Flutuando no Mar Morto

Quando descemos de Massada o tempo tinha aberto por completo e a temperatura tinha subido. Estávamos felizes porque o tempo tinha melhorado e porque teríamos tempo de ir ao Mar Morto. Mesmo assim, o tempo ainda estava um pouco frio para que todos tomassem coragem e mergulhassem na água tão gelada quanto salgada.

Os que tiveram coragem, puderam desfrutar de uma das sensações mais estranhas. Sem molhar o rosto (porque o sal da água arderia os olhos), boiamos nas águas cheias de sal. A água salgada do mar contém cerca de 3% de sal, a água do Mar Morto (em hebraico Yam HaMelach ou Mar do Sal) contém 33%. Sem nenhum esforço, consegue-se boiar normalmente, de bruços, na vertical como uma rolha, ou até mesmo sentar na água para ler o jornal da manhã.Voltar ao topo

Café-da-manhã no Kapulsky

Eram ainda cerca de 9:30h e era difícil acreditar que já tínhamos feito tanta coisa! Depois de uma chuveirada para tirar o sal, vestimos nossas roupas e fomos tomar nosso café-da-manhã no Kapulsky em frente ao Mar Morto. O chocolate quente foi perfeito para esquentar depois do banho gelado. Além disso, ovos mexidos, cottage (como sempre) e pain au chocolat. Delicioso.Voltar ao topo

Voltando para Jerusalém

Saímos do Kapulsky às pressas rumo à Jerusalém. Tínhamos um compromisso importante em Jerusalém: encontrar Charles Bronfman, um dos filantropos que patrocinam o TAGLIT, na Suprema Corte de Justiça e não poderíamos nos atrasar. A viagem do Mar Morto para Jerusalém não dura mais do que uma hora, mas é impressionante como o tempo varia neste país tão pequeno. O dia estava com sol fraco e temperatura por volta de 20ºC no Mar Morto, mas à medida em que subíamos em direção a Jerusalém o tempo esfriava. Quando chegamos a Jerusalém, o tempo estava nublado, ventava e a temperatura era de cerca de 7ºC.

Mal agasalhados (eu estava de bermuda mas levei uma calça na mochila), mal vestidos e sujos de sal, seguimos para o compromisso mais formal de toda a viagem.Voltar ao topo

Veja as fotos de 3 de janeiro (continuação)

A Suprema Corte de Justiça

Perto do Knesset, em uma construção bela e moderna com a fachada de pedra (como todos os prédios em Jerusalém), fica a Suprema Corte de Justiça. Após passar pela segurança (fazer a bitachon), subimos as escadarias de um prédio altamente seguro com portas blindadas, mas extremamente bonito, com grandes janelas aproveitando a luz natural e amplos salões. Num auditório, o grupo pôde conhecer Charles Bronfman. Depois de uma foto oficial de Bronfman, sua esposa e o grupo, umas rápidas palavras de Bronfman que, em sua essência, era: divirtam-se e aproveitem a viagem.

Depois deste rápido encontro, passeamos com calma pelas salas do prédio com sua imponente biblioteca e pudemos assistir parte de um julgamento de abuso sexual que estava acontecendo naquele momento. Com os juízes e advogados vestidos com toga e toda aquela formalidade dos julgamentos.Voltar ao topo

Almoço no albergue Yitzhak Rabin

O Albergue Yitzhak Rabin, da Israel Youth Hostel Association (integrante da Hostelling International), é o mais novo albergue de Jerusalém. Um albergue novo, grande, bonito e confortável, perto do Museu Israel, que conta também com auditórios, salas de aulas, facilidades computacionais entre outros. O almoço no restaurante do albergue foi muito bom. Infelizmente, não ficamos hospedados lá.Voltar ao topo

A visita ao Knesset

Esta foi a visita que não houve e o assunto mais frustrante do dia. Descemos do ônibus sem as mochilas e sem máquinas fotográficas para fazer a bitachon rapidamente, mas uma confusão de horários nos fez perder a visita. Eram quase duas da tarde e este era o horário limite de visita, portanto não nos deixaram entrar. Um pouco frustrados, Stanger tenta nos acalmar: "o melhor daqui é aquela foto", apontando para a famosa menorah ao lado do Knesset (do lado de fora), mas não tínhamos nem mesmo trazido nossas câmeras do ônibus e não tiramos a famosa foto ao lado da menorah.Voltar ao topo

O hotel em Jerusalém

Como a visita ao Knesset foi cancelada, tínhamos um pouco de tempo livre e Meirav sugeriu uma visita à Tayelet, onde tem uma linda vista panorâmica de Jerusalém com a cúpula dourada do Domo da Rocha, mas, depois de um dia tão cheio, em que levantamos cedo, mal vestidos e mal agasalhados, a maioria preferiu seguir para o hotel e assim fizemos o check-in no Hotel Mercure Jerusalem Gate, ao lado da nova Tachanat Mercazit.Voltar ao topo

A peulah sobre o Yad Vashem

Depois de um descanso no hotel, fizemos uma peulah sobre o Yad Vashem numa das salas de conferência do hotel. O Yad Vashem seria a nossa primeira visita do dia seguinte.

Inicialmente, os madrichim nos deram uma lista de anos e fatos para associarmos e testarmos os nossos conhecimentos sobre os anos que antecedera a guerra. Depois de mais algumas discussões sobre o tema, Paulo sugeriu que cada um falasse um pouco sobre a história de sua família durante a guerra e como chegou ao Brasil. E assim fizemos. Cada um contou um pouco de sua família e ouvimos as mais diversas situações, algumas inesperadas. E este foi um momento mais especial que a visita ao Yad Vashem em si.Voltar ao topo

A noite no hotel

Depois do workshop sobre o Yad Vashem, fomos para o jantar no restaurante do hotel. Mais tarde, haveria uma festa no saguão do hotel, já que as preocupações com a segurança em Jerusalém nos mantinham presos no hotel, mas eu aproveitei a noite para sair com minha família de Jerusalém. Visitei a Tayelet, que tínhamos deixado de visitar durante o dia, e pude ver uma linda vista panorâmica e noturna de Jerusalém, com a cúpula dourada iluminada. Segui para a casa deles, lá perto, e jantei novamente. Depois, rodamos de carro pelo centro de Jerusalém perto do quarteirão russo e passamos por alguns dos lugares onde houve atentados, como o Sbarro, totalmente reconstruído. Cheguei no hotel ainda a tempo de ver o fim da festa.Voltar ao topo


Zichron Yaakov e tendas beduínas Jerusalém >
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Subindo Massada pelo Caminho da Serpente.
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Lendo o jornal no Mar Morto.
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Nos amplos salões da Suprema Corte de Justiça.

Neste dia

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