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29 de dezembro


Veja as fotos de 29 de dezembro

Caminhada até Yafo

Depois da super balada, sábado ganhamos uma folga e pudemos dormir até 9 horas da manhã. Tomamos café da manhã no hotel e saímos apressados para uma grande caminhada (já que era shabat) pela orla de Tel-Aviv até Yafo. Embora não fizesse frio, o tempo não estava muito firme, portanto era aconselhável levarmos casacos.

A caminhada foi bem agradável. Passamos na frente de todos os hotéis da orla, caminhamos perto da areia e vimos as ondas (poucas por causa do quebra-mar) do Mediterrâneo. Num trecho largo do calçadão, uma arkadah de um grupo que parecia se reunir todo sábado ali. Michelle, é claro, ensaiou alguns passinhos.

Continuando pela orla, fizemos uma parada no memorial que fica em frente as ruínas da Dolphinarium, destruída por um atentado suicida e matando diversos jovens, na maioria, imigrantes russos. Flores, fotos, velas, pertences e a lista de nomes das pessoas que morreram neste cruel atentado, simplesmente porque queriam se divertir.

Seguimos a caminhada com uma nova percepção do que é o medo com que os israelenses são obrigados a conviver diariamente. Estava ficando tarde e ainda estávamos na metade do caminho. O tempo começava a fechar, ventava mais e pouco depois começou a chover. Felizmente a chuva não era muito forte e choveu por pouco tempo. Fizemos uma parada rápida enquanto estava forte, mas, quando ficou mais fraca, confiamos em nossos dubons e seguimos adiante. Quando chegamos em Yafo, o tempo já estava abrindo e o sol acabou surgindo.Voltar ao topo

Yafo

Ao contrário de Tel-Aviv, que é uma das cidades mais novas de Israel apesar de seu tamanho, Yafo é uma das mais antigas. Em tempos remotos foi ocupada por egípcios, persas e gregos. Posteriormente, os muçulmanos ocuparam a cidade até a Guerra da Independência, quando a cidade passou a ser controlada por Israel. Com o crescimento de Tel-Aviv, Yafo passou a ser administrada pela mesma prefeitura e, hoje, é praticamente um bairro de Tel-Aviv.

Subimos as escadas que davam acesso ao topo do morro, onde se tem uma vista panorâmica de Tel-Aviv. Olhando os relógios, vimos que já era hora de voltar. Deveríamos estar no hotel para o almoço por volta de uma da tarde para depois participarmos, às três da tarde, de uma palestra sobre a problemática da paz com um jornalista argentino. Mas tínhamos acabado de chegar a Yafo!...

Alguns decidiram voltar para comer o almoço requentado de shabat e voltaram para o hotel com a Meirav. Marcelo e Gy acompanharam o resto do grupo que decidiu ficar em Yafo. Paramos para tirar algumas fotos, passeamos nas ruelas do quarteirão judaico, vimos os ateliês de artistas, vimos algumas casas com estilo grego, visitamos o parque arqueológico. Depois, comemos umas esfihas no Abulafia e falafel e shawarma na loja em frente.

Era hora de correr para chegar a tempo da palestra. Para isso, contamos com o apoio (e a pressão) de nosso madrich e personal trainer, que nos fez bater um recorde e atravessar toda a orla de Tel-Aviv em cerca de meia hora!Voltar ao topo

A palestra sobre a problemática da paz

Com toda a correria, chegamos a tempo. Para falar a verdade, chegamos antes mesmo daqueles que tinham voltado mais cedo para almoçar no hotel. Mas, nem preciso dizer, estávamos mortos.

Mesmo assim, pudemos aproveitar a palestra, que nos deu um novo entendimento sobre as origens do conflito, sobre os acordos de Camp David e Oslo e sobre as Áreas A, B e C. A palestra se estendeu pelo resto da tarde e foi rica em detalhes.

Em seguida, aproveitamos o salão da palestra para realizar um motzeh shabat com um minian dos que ainda quiseram ficar.Voltar ao topo

Kikar Rabin

Depois de uma pausa para banho e o jantar, saímos para visitar a Kikar Rabin, a praça onde Yitzhak Rabin foi assassinado, após um evento em apoio à paz. Esta praça, que antes se chamava Kikar Malchei Israel, possui um pavilhão onde subimos para ouvir em um gravador portátil Shir LaShalom e o último discurso proferido por Rabin.Voltar ao topo

O último discurso de Rabin

04 de novembro de 1995
Tel Aviv City Hall Plaza

Permitam-me dizer que estou profundamente emocionado.

Eu quero agradecer a cada um e a todos vocês, que vieram aqui hoje manifestar-se contra a violência e a favor da paz. Este governo, que eu tenho a honra de dirigir, ao lado de meu amigo Shimon Peres, decidiu dar uma chance à paz - uma paz que resolverá a maioria dos problemas de Israel.

Eu fui um militar durante 27 anos. Lutei enquanto não havia chances para a paz. Eu acredito que agora existe uma chance para a paz, uma grande chance. Nós precisamos aproveitá-la pelo bem daqueles que aqui estão, e também pelo bem daqueles que não estão aqui - e existem muitos deles.

Eu sempre acreditei que a maioria das pessoas quer a paz e está pronta para assumir riscos para a paz. Ao virem aqui hoje, vocês demonstram que, juntos àqueles muitos outros que não vieram, as pessoas realmente desejam a paz e se opõem à violência. A violência destrói a base da democracia israelense. A violência deve ser condenada e isolada.

Este não é o modo do Estado de Israel. Numa democracia pode haver diferenças, mas a decisão final será tomada em eleições democráticas, como as eleições de 1992 que nos deram o mandato para fazermos o que estamos fazendo, e para continuarmos este curso.

Eu quero dizer que estou orgulhoso do fato de representantes de países com quem estamos vivendo em paz estão presentes conosco aqui, e continuarão a estar aqui: Egito, Jordânia e Marrocos, que abriram a estrada da paz para nós. Eu quero agradecer ao Presidente do Egito, ao Rei da Jordânia e ao Rei do Marrocos, representados hoje aqui, pela sua parceria conosco em nossa marcha a caminho da paz.

E, mais do que qualquer outra coisa, nos mais de três anos de existência deste governo, o povo de Israel provou que é possível fazer a paz, que a paz abre portas para uma melhor economia e sociedade; que a paz não é somente uma bênção.

A paz é a primeira de todas em nossas rezas, mas também é a aspiração do povo judeu, uma aspiração genuína pela paz.

Há inimigos para a paz que estão tentando nos ferir, para bombardear o processo de paz. Eu quero dizer, diretamente, que nós encontramos um parceiro para a paz entre os palestinos também: a OLP, que era um inimigo, e que deixou de se engajar no terrorismo. Sem parceiros para a paz, não pode haver paz.

Nós demandaremos que eles façam a sua parte para a paz, assim como nós faremos a nossa parte para a paz, com o intuito de resolver o aspecto mais complicado, prolongado e carregado emocionalmente do conflito árabe-israelense: o conflito palestino-israelense. Este é um caminho carregado de dificuldades e dor.

Para Israel, não há caminho sem dor. Mas o caminho da paz é preferível ao caminho da guerra.

Eu digo isto a vocês como um militar, alguém que é hoje o Ministro da Defesa e vê a dor da família dos soldados do Tzahal. Por eles, por nossos filhos, no meu caso por nossos netos, eu quero que este governo exauste todas as aberturas, todas as possibilidades, para promover e atingir uma paz completa. Até mesmo com a Síria será possível fazermos a paz.

Este esforço deve mandar uma mensagem ao povo de Israel, ao povo judeu ao redor do mundo, às muitas pessoas no mundo árabe e, de fato, ao mundo inteiro, de que o povo de Israel quer a paz, apóia a paz.

Por isso, obrigado.Voltar ao topo

O assassinato de Yitzhak Rabin

Ao término do evento, Rabin desce as escadas do pavilhão, rodeado por seus assessores e seguranças. Uma multidão o esperava lá embaixo, quando Yigal Amir, um ativista de extrema-direita, se aproxima e, às 21:40h do dia 4 de novembro de 1995, dispara três tiros nas costas de Rabin. Era o início do fim.

Na época, muito se falou em continuar o processo de paz. Afinal nós devemos isto a Rabin, mas a verdade é que Rabin era uma peça importante do processo de paz e a situação aos poucos degringolou.

Um memorial, uma vela eterna e a bandeira de Israel relembram este trágico acontecimento. No chão, marcações das posições de Rabin, seus assessores, seguranças e seu assassino. Nos muros, pichações de solidariedade a Rabin.Voltar ao topo

A segunda noite em Tel-Aviv

Tivemos um tempo para passear na rua em frente à praça. Devido às preocupações com a segurança, nosso passeio estava restrito a dois quarteirões, mas numa rua em que havia vários cafés. Ficamos por lá cerca de uma hora antes de pegar o ônibus de volta ao hotel. Era hora de decidir a segunda balada em Tel-Aviv. Acabamos andando pela praia e fomos a um bar com música ao vivo, karaoke e pandeiros na orla de Tel-Aviv. Outros seguiram para uma disco GLS (assim disseram) na Allenby.Voltar ao topo


Tel-Aviv Haifa, Acco, Rosh Hanikrah e Tveriah >
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Chegando em Yafo.
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Boneco de cera de Yizthak Rabin no Madame Toussaud de Londres.
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O local do assassinato de Rabin. Esta foto está disponível para download.

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