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27 de dezembro


Veja as fotos de 27 de dezembro

A chegada em Israel

Enfim é chegado o grande momento. Após uma madrugada mal dormida no vôo da Lufthansa, o avião cruza as areias da praia de Tel-Aviv. Aos poucos, percebemos a silhueta dos prédios altos de Tel-Aviv. Destacam-se as torres gêmeas do Azrieli Center. Depois de alguns minutos, por volta das 4: 30h da manhã, o avião finalmente pousa. Aplausos. É difícil conter a euforia e muitos querem logo sair do avião, afinal a ansiedade é grande e também acabamos de ficar quase 20 horas dentro dos aviões que nos levaram a Frankfurt e em seguida Tel-Aviv.

Todos saímos do avião e descemos na pista. O aeroporto de Israel é pequeno e não possui aqueles tubos que ligam o terminal à porta dos aviões. Isto de certa forma aumentava mais ainda a emoção, porque víamos todos os aviões da El-Al de perto. Num gesto emocionado, Dani Laks, o gaúcho, se ajoelha e beija o chão. Como pude deixar escapar esta foto? Caminhamos em direção ao terminal e tiramos a clássica foto abaixo da frase ברוכים הבאים que decora a entrada. Após passarmos pelo controle de passaportes e ganhar o carimbo e entrada, pegamos nossas bagagens e somos apresentados à Meirav, nossa madrichá, que nos acompanhará durante toda a viagem. Em seguida, entramos no ônibus que nos esperava para nos levar para o Beit Shmuel em Jerusalém.

Feita a divisão dos quartos, temos poucas horas de sono (apenas três) antes de um longo dia em Jerusalém. Era inverno e a madrugada estava fria. Parecia que o dia também seria frio mas o sol acabou saindo e, na verdade, acabou sendo um dos dias mais quentes da viagem.Voltar ao topo

A primeira visita à Cidade Velha

Depois de uma breve palestra sobre o que seria o programa e os cuidados com a segurança, ganhamos garrafas d’água para suportar o clima seco de Israel. Em seguida, saímos bem cedo em direção à Cidade Velha. A primeira parada, é claro, seria o muro. O ônibus nos deixa no Shaar Tzion. Para alcançar o Shaar HaAshpot, que fica mais perto do muro (veja um mapa de Jerusalém), o ônibus deveria passar por um bairro árabe, não muito indicado nesta época. Caminhamos em direção ao muro atravessando as ruelas da Cidade Velha. Apesar do nome, tudo tem uma aparência de novo, o que é explicado pela ocupação árabe na cidade entre 1947 e 1967, quando o quarteirão judaico foi destruído e a Sinagoga Hurva totalmente queimada. Avançamos um pouco mais e finalmente avistamos o muro com a cúpula dourada atrás. À frente do muro, um grande pátio. Durante a ocupação árabe, toda aquela área foi preenchida com casas em péssimas condições que iam até o muro, até que em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, os pára-quedistas israelenses libertaram a cidade e o muro. Com a magnífica paisagem do muro atrás, Meirav lê o seguinte poema:Voltar ao topo

Os pára-quedistas choram

Haim Hefer

Este muro ouviu muitas orações
Este muro viu a queda de vários outros muros
Este muro sentiu o toque de mulheres em luto
Este muro sentiu os pedidos guardados em suas pedras
Este muro viu Rabbi Yehuda Halevi ajoelhado a sua frente
Este muro viu césares levantarem e caírem
Mas este muro nunca tinha visto pára-quedistas chorarem.

Este muro os viu cansados e aflitos
Este muro os viu feridos e mutilados
Correndo a ele com alegria, choros e silêncio
E rastejando como animais feridos nas ruelas da Cidade Velha
Enquanto cobertos com pó e com lábios rachados
Eles sussurram “Se eu esquecer você, se eu esquecer você, Jerusalém...”
Eles são velozes como águias e fortes como leões
E seus tanques – as ferozes carruagens de Eliahu, o profeta
Eles passam com barulho
Eles passam em fila
Eles relembram os dois mil horríveis anos
Quando nem mesmo existia um muro onde pudéssemos deixar nossas lágrimas
E aqui eles permanecem e respiram a poeira
Como eles o olham com uma suave dor
E lágrimas escorrem e eles se olham perplexos.

Como pode pára-quedistas chorarem?
Como pode eles tocarem o muro com tamanha emoção?
Como pode o seu choro transformar-se em música?
Talvez porque estes garotos de dezenove anos, nascidos junto com o Estado,
Talvez porque estes garotos de dezenove anos carregam sobre seus ombros
Dois mil anos.
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O Muro Ocidental

Com um novo olhar sobre o muro, caminhamos em direção aos detectores de metal que dão acesso ao pátio em frente ao muro, para “fazer a bitachon”, expressão que iríamos ouvir várias outras vezes durante a viagem. Uma vez na área do muro (veja imagens do muro ao vivo), sentamos em círculo no chão para fazer um shecheyanu, com direito a vinho de Pessach, damascos e um chocolate que tinha uma surpresa...

ברוך אתה יי אלוהינו מלך העולם
שהחיינו וקימנו והגיענו לזמן הזה

Ao colocar o chocolate na boca, fomos avisados para não mastigar. À medida que o chocolate ia derretendo, o chocolate explodia na boca. A idéia era que a viagem deveria ser como o chocolate: cheia de surpresas.

Realizamos uma cerimônia de noivado para Andréia e Marcelo e em seguida tiramos a foto obrigatória: todo o grupo em frente ao muro. A Sochnut mandou um fotógrafo para registrar este momento e aproveitamos todos para dar nossas máquinas para que ele também tirasse os retratos com elas. O fotógrafo abriu os dois braços e, em alguns segundos, 42 câmeras estavam penduradas. O resultado está na foto ao lado.

Pudemos, então, nos aproximar do muro. Um grupo de ortodoxos cumpriam a mitzvah de gentilmente forçar os turistas a colocarem tfilin. Diante da insistência acabamos cedendo, afinal valia uma boa foto... Quando devolvemos o tfilin, eles se viram para nós e falam: “Agora, você vai fazer isto todo dia...” Hora de seguir para o almoço.Voltar ao topo

O almoço no CVLINARIVM

O restaurante CVLINARIVM, fica localizado no Cardo, uma rua escavada da época romana. O Cardo era a rua principal (o coração da cidade), comum nas cidades romanas e geralmente voltada ao comércio. Hoje, a rua renovou o seu espírito comercial com as várias lojas de artigos religiosos e souvenirs para turistas. O restaurante temático recebe os convidados com cornetas e roupas de gladiadores e todos vestem lençóis brancos por cima das roupas e colocam folhas de louro na cabeça. Outros preferem capacetes e espadas de gladiadores. A comida também segue o que os romanos comiam: sopa, arroz com lentilhas e pedaços de frango. Talheres? Apenas algo que lembrava garfo. Para beber, água com hortelã. Depois do almoço, fizemos um passeio no Cardo, onde vimos a réplica da Menorah e nos preparamos sentados no chão para nossa próxima atividade: uma visita às escavações do Templo.Voltar ao topo

O lado sul do Templo

Primeiramente, fomos ao Jerusalem Archaeological Park, um parque arqueológico situado no lado sul do Templo. Esta é uma área nova, de escavações recentes. Lá, visitamos uma exposição recém-inaugurada, falando sobre o Templo e os objetos escavados. A exposição culminava com uma visita virtual ao Templo, reconstruído em três dimensões no computador. Muito interessante, mas a esta hora, todos estavam acabados pelas duas noites anteriores sem dormir. Felizmente, este parque arqueológico dispõe de um site fantástico onde podemos rever toda a visita. Imperdível! Saímos da exposição e fomos para a escadaria reconstruída no lado sul do Templo. Hoje ela fica ao lado da Mesquita de El-Aqsa. Já estava escurecendo, por isso, nos apressamos para fazer novamente a bitachon e seguir para o lado ocidental do Templo, onde está o Muro Ocidental.Voltar ao topo

As escavações do Muro Ocidental

O kotel tal como vemos hoje é apenas uma parte pequena do que era o muro original. O muro original continua para baixo da terra e para a esquerda (direção norte). Visitamos, então, estas escavações: um imenso túnel que ladeia o muro e avança sob o quarteirão árabe da Cidade Velha. Estas escavações geraram grande polêmica antes de sua inauguração. Nestas escavações vimos um imenso bloco de pedra no trecho do muro construído pelo Rei Herodes. Também vimos uma parte escura do muro, que segundo os estudos arqueológicos é a parte mais perto de onde era o Templo, local ocupado hoje pelo Domo da Rocha. As escavações terminam com uma saída para o bairro árabe. Para não corrermos riscos, voltamos todo o caminho e saímos por onde entramos, no bairro judeu.

O ônibus nos esperava no Shaar HaAshpot, o portão mais perto do muro (o ônibus vazio pode cruzar o bairro árabe) e nos trouxe de volta ao Beit Shmuel, onde jantamos. No dia seguinte, seguiríamos para Tel-Aviv.Voltar ao topo


Frankfurt Tel-Aviv >
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ברוכים הבאים
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O Muro e o Domo da Rocha. Esta foto está disponível para download.
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Pára-quedistas em frente ao muro na Guerra dos Seis Dias em 1967.
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O grupo em frente ao kotel no primeiro dia em Israel. Esta foto está disponível para download.
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O lado sul do Templo, a Mesquita de El-Aqsa e o Monte das Oliveiras. Esta foto está disponível para download.

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